CAPÍTULO 4
15 anos antes Tatsuo observava enquanto Aiko fazia o seu braço o sketchbook dela. Eles estavam na estação esperando o trem e estava chovendo. O que fazia o tempo esfriar e os dois se aconchegarem um ao lado do outro. Era a melhor sensação do mundo. Ela terminara de desenhar uma borboleta no braço dele, e ele a olhou rindo. -Aiko Butterfly! Ela apenas sorriu, a beijou no rosto e o trem chegou. Aiko e Tatsuo
“Às vezes, só queremos ficar em silêncio querendo lembrar de certas coisas. As vezes o silêncio nos fala tudo, as vezes o silêncio nos traz sorrisos bobos, as vezes o silêncio me traz você.
Eu gosto de acreditar em destinos, principalmente os que envolvem amor. Existem anjos, anjos que andam na terra, que passam pela nossa vida e que, no entanto, são inesquecíveis. Nos apaixonamos, conversamos sem se quer termos nos visto uma única vez. Depois nós nos conhecemos pessoalmente e o sentimento cresceu ainda mais. É louco né? Mas agora... tudo se destruiu. Sei por onde anda e sei onde posso te achar, mas ao mesmo tempo não posso. E isso me faz pensar, que no final... não sabemos de nada, não sabemos destino e o que restam são só memórias... aquelas memórias que guardamos para sempre. É nostálgico andar na rua, lembrar de você, que andamos por ali e o que você diria se estivéssemos juntos. Por onde você anda? O que anda comendo? Você se lembra daquela promessa boba que fizemos, que apesar de se passarem 1.000 anos e mais 1.000 anos, ela ainda assim estaria valendo ? Não importe quando tempo passe, meu anjo está sempre em meu coração. Existir é sobreviver a escolhas injustas. Espero que esteja feliz aonde quer que esteja.
- Aiko butterfly “
A carta surrada estava no bolso de Aiko. Ela nunca teve coragem de enviar para Tatsuo e pensou que esse era o destino que a carta estava proposta. Tinha certeza que não teria mais uma oportunidade como aquela e confessaria para ele, que apesar de todos esses anos, ela ainda pensava nele. Essa carta era um segredo de estado e nem mesmo Ellie sabia de sua existência. Ela havia pego no meio de seu diário em uma caixa da mudança. Cada passo que ela dava, ela conferia para ver se a carta estava segura sem ter caído de seu bolso. Aquele papel pesava tanto... tinha o peso de um coração! Tao pesada que as vezes ela esquecia que era somente um papel velho.
Sem nenhuma palavra, Aiko e Tatsuo lavavam a louça. O silêncio era tanto que chegava a dar para escutar a respiração dos dois.
-É estranho estar ter tão perto de você depois de todos esses anos - Disse Tatsuo finalmente quebrando o silêncio blindado.
-S-sim... é tão estranho que eu nem sei o que dizer.
Aiko conseguia sentir o calor no rosto de tão vermelha, somente por lavar uma simples louça ao lado dele. Tatsuo suspirou, deu uma risada baixa e continuou lavando extremamente desconfortável por sentir o calor daquele comento.
-Você não perdeu seu jeitinho tímido né? Incrível... parece que voltamos a ser jovens de novo.
-Eu não sei lidar direito com situações como essa... você sabe. - disse Aiko enxugando o último prato lavado.
-É, não mudou nada...Como tem sido sua vida?
Tatsuo estava fingindo estar tentando puxar assunto, porque ele realmente queria saber tudo sobre ela. Apesar de todos aqueles anos ele pensava nela assim como ela pensava nele, não importava quantas pessoas novas tinham entrado na vida de ambos. O único rosto que os dois continuavam procurando nas ruas da cidade escura, era um do outro.
-Sabe como é... extremante corrida, eu não tenho nem tempo para respirar direit...
Aiko foi interrompida com o toque das mãos de Tatsuo em seu cabelo que acabava de tirar um arroz dele.
Se aproximando dela, quase que um centímetro de seu rosto,
disse:
-Eu não vejo uma aliança em seu dedo. - disse baixinho. -E-Eu não tenho tempo para isso...
-Fugindo de quem gosta de você como sempre?
Aiko se calou. Ela não sabia o que dizer ou como sair dessa situação.
-Você ainda continua como o oceano?-Perguntou Tatsuo. -Oceano?
-Um oceano calmo, mas com constantes tempestades - disse Tatsuo um pouco impaciente.
-Bem... porq
-Deixa pra lá, não precisa responder - disse Tatsuo interrompendo Aiko. -Eu sabia que não era uma boa ideia vir aqui hoje. Vou ajudar a carregar as caixas e ir embora.
Aiko não estava entendendo o porquê Tatsuo estava tão irritado. Era difícil para ela ver ele assim, pois sempre lembrava dele alegre e brincalhão. Ela nunca tinha visto ele deste jeito.
-Calma! - disse Aiko quase em um grito. -O que foi?
-Não é nada. Eu não estava preparado para hoje, acho que nunca estive... pensei que nunca mais iria te ver outra vez. Eu já tinha me acostumado com a ideia de te imaginar casada, com filhos e feliz. Era assim que sempre te imaginei, e isso me fazia bem saber que eu nunca mais iria te ver, mas sabendo você que estaria com uma vida feliz em algum lugar longe. Longe de mim.
-Desculpa te desapontar! – disse nervosa - Não precisa ficar aqui se não quiser, você não é obrigado.
-Eu sabia que seria assim, a gente sempre acaba brigando, não mudou nada mesmo depois de tempos parece.
-É, parece. – Aiko tinha vontade de voltar no tempo agora e nunca tê-lo visto novamente, queria ter permanecido com ele só em suas memórias, imaginando finais para os dois só em sua cabeça. Aquilo ali em sua frente era muito real e ela não queria mais encarar.
Tatsuo sentia seu rosto pegar fogo de raiva misturado com tristeza. As lembranças estava o consumindo e não sabia que aquilo ainda o machucava. Mas machucava. Ele olhava para ela bem ali em sua frente e o tempo fez bem a ela. Continuava com o mesmo rosto sereno de adolescente e aquele sorrisinho que ela dava somente quando estava junto dele, abaixando a cabeça quando estava envergonhada. Sua voz suave e baixinhas o trazia de volta aquela época que ele jurou nunca mais voltar.
E ele não iria voltar! O tanto que ele correu atrás dela, o
tanto que tentava puxar ela para si e ela sempre ia cada vez mais longe, sempre o afastava, não importava o esforço que ele fazia. Então ele havia desistido e deixado ela seguir sua vida sem ele, se perguntando o que teria acontecido se tivesse tentado mais uma vez... uma ultima vez ir atrás dela. Pensar naquilo o fazia sofrer e não conseguia dormir a noite. Então ele a apagou. Apagou suas fotos e seus registros dentro dele. Apagou tudo e seguiu em frente... Mas de vez enquanto quando estava no metro, um lugar que sempre eles se esbarravam , em perceber o que ele mesmo fazia, ele olhava pro vagão em busca dela distraído. Ele nunca mais a tinha visto. Nunca, ate ontem.
Decidiu então não prolongar a situação mais uma vez. Não queria aquilo novamente! Ele havia seguido em frente e era aquilo que iria fazer. Pegou suas coisas sem olhar para o rosto dela, sem olhar para tras abriu a maçaneta com um suspiro e partiu.
Ellie olhou aquela cena sem entender nada, foi ate a cozinha e encontrou Aiko chorando no chão abraçando as pernas.
-Vocês brigaram?
Aiko fez um sim com a cabeça, Kazumi entrou na cozinha logo depois de Ellie, viu a cena e sentiu pena da menina no chão.
-Eu vou ser sincera com você.... você sabe que eu sempre sou sincera NE!!!!
-Sei, as vezes até demais.
- Nem me fale – Kazumi fez um coro atrás de Aiko concordando e Ellie bateu no ombro dele ofendida, mas depois deu uma risada e disse
- Corre.
Aiko olhou para Ellie sem entender nada.
- Não deixe ele ir mais uma vez!!! você sempre deixou ele ir e mesmo assim ele corria atrás e você o afastava novamente... não se arrependa mais 20 anos só pensando o que teria acontecido se dessa vez você que corresse atrás. Corre!!! Eu sei o quanto quer estar ao lado dele!
Aiko parou de chorar e se levantou. Ellie tinha razão! Ela havia esquecido da carta e lembrou num susto, que agora arrastava no chão de tão pesada. Ela abraçou a amiga e sorriu para Kazumi que estava sem entender nada do que estava acontecendo ali.
Sem se lembrar de enxugar as lagrimas, ela correu porta afora. Colocou toda sua energia naqueles passos, e torcia para ele não ter ido embora... não antes dela conseguir entregar a carta!! Era seu último ato antes da mudança, o ultimo antes de esquecer tudo, o ultimo antes de deixar todo seu passado para trás.


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